terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A saga do carro na neve

Quando saímos do Brasil, nós já tínhamos o plano de que guardaríamos um dinheiro para comprar um carro que seria muito necessário, principalmente, no inverno. Fizemos diversas pesquisas e descobrimos que há uma cultura de compra de carros baratos que funcionam bem na cidade.

Barato quanto? Você consegue achar um carro de 2006 por 3.600 dólares. Não dá para comparar o dólar canadense com a moeda do Brasil (real), mas seria algo como comprar um carro modelo 2006/2007 (10 anos de uso) por 8 mil reais. Mas vale lembrar que os carros aqui já tem uma tecnologia mais avançada que os brasileiros, então mesmo esses carro usados são mais "modernos" que os carro fabricados no mesmo ano no Brasil.

Então olhamos um site no estilo OLX (aqui se chama Kijiji) e fomos olhar alguns carros. Aqui é bem comum você achar pessoas que vivem de compra e venda de carros, o que eles chamam de "car dealer". Nós também chegamos a visitar alguns lugares onde esses dealers possuem lojas, como se fosse um feirão dos automóveis usados.

Mas acabamos fechando acordo com um cara que achamos no aplicativo. Fomos até sua casa, ele nos mostrou 3 carros que ele tinha disponível e então decidimos pelo Suzuki. Durante nossas pesquisas, descobrimos que os carros japoneses seriam de melhor qualidade e durabilidade na cidade e no inverno, do que os  modelos americanos. E o carro estava dentro do nosso orçamento, e com aquela pechinchada brasileira, ainda conseguimos diminuir 200 dólares.

Agora temos um carro - usado - no qual o objetivo é nos proteger do inverno. O máximo que pudermos evitar de ficar expostos a temperaturas de - 20 à - 30, melhor pra nossa saúde. Uso o carro para ir para o trabalho, alguns dias deixo Luciana na universidade, às vezes ela vai de carro e me busca no trabalho. Usamos para passear na cidade e principalmente fazer compras. Tudo ia tranquilo até que o inverno de fato chegou.

Na véspera de natal, começou a saga do carro. Foi o dia mais frio do ano e nós ainda não tínhamos vaga na garagem do prédio, o carro dormia na rua de trás do nosso prédio, junto com outros tantos. Quando estávamos prontos para ir celebrar o natal, o carro não ligava por nada. O carro havia morrido no frio. Uma curiosidade dos carro aqui é que todos eles possuem um plug que é conectado na bateria do carro e fica pendurado do lado de fora do capô. Você precisa comprar uma extensão e plugar o carro na tomada. Isso faz com que a bateria fique recarregada durante todo o período que o carro está de repouso na temperatura congelante da cidade. Mas nós não tínhamos vaga, o carro morreu e nós tivemos que gastar 25% do valor do carro para consertá-lo. Foi um presente de natal de grego.

Graças a Deus no começo do ano surgiu uma vaga no prédio onde poderíamos deixar o carro plugado. Vale dizer que a maioria das garagens aqui são do lado de fora, descobertas, você vai precisar de sorte para achar um apartamento com garagem coberta.

Mas essa não foi a única vez que o carro morreu, mesmo tendo o plug. No Brasil o nossos carros (meu e de Luciana) tinham um sistema de que quando você trava as portas ele automaticamente desliga as luzes também. Pois eu já esqueci esse carro com os faróis acesos por duas vezes e fui trabalhar por 7 horas. Na primeira vez, não estava tão frio, e após 30 minutos do carro com os faróis apagados, a bateria recarregou e o carro funcionou. Já na segunda vez, bem recente inclusive, o frio estava bem congelante e eu esqueci os faróis acesos. Na hora de ir embora para casa o carro não dava partida, foi preciso uma chupeta de 15 minutos para que o carro voltasse a vida.

Só que a última vez que o carro teve uma parada cardíaca, foi no começo do mês agora, quando ele simplesmente não ligou mesmo com o carro plugado e os faróis desligados. O problema agora era no tal do 'starter' do carro, uma peça que é ligada diretamente com a bateria e o motor que dá a partida no carro.

Esse é o problema de comprar um carro já usado e com a quilometragem um pouco alta. Sabemos que o tempo de vida desse carro é de no máximo mais um ano. Mas enquanto não formos residentes permanentes ou mais estabilizados financeiramente na cidade, não iremos licenciar um carro novo. Mas esse é o nosso plano, conseguir ter um carro bom, novo, moderno e que aguente o inverno bravamente.

Por enquanto, seguimos felizes e apreensivos - ao mesmo tempo - com o nosso carrinho. Mas ele é ótimo. É automático, 4 portas, som moderno, bancos novos. Temos os pneus próprios para neve e um jogo de pneus para as 4 estações. E tem a opção de ligar o carro no controle manual do carro. Essa tecnologia serve exatamente para o inverno, onde você pode ligar o carro a quilômetros de distância e deixar o seu carro aquecendo, para que quando você entre não morra congelado.
Ele atende bem nossa demanda do momento.

Por aqui e obrigatório o seguro do carro feito por um órgão específico do governo (Autopac). Eles tem diversas opções de seguro (como se fosse pacotes) com diversos preços. Nós pagamos 170 dólares e o seguro cobre acidentes, colisões, roubos e furtos.

Nós também nos tornamos sócios de uma empresa chamada CAA, que é tipo um seguro. O serviço deles é para reboque, chupeta, parte elétrica do carro, troca de pneus. Você paga uma taxa anual (60 dólares) e você pode utilizar o serviço por apenas 4 vezes ao ano.



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Como é o sistema de saúde daqui?

Sempre que comparamos nosso país com qualquer outro de 1º mundo, a tendência é dizer que tudo fora do Brasil é melhor. E foi isso que ouvimos a respeito do sistema de saúde do Canadá. Para começo de conversa, aqui o sistema é público, acessível para todos, o que já é um passo a frente. Outra qualidade positiva é o cuidado em manter tudo atualizado, novo, com manutenção dos aparelhos em dia, com uma estética bonita. Em nada, nesse aspecto, nos lembra os hospitais públicos do Brasil.

O que me chamou atenção - positivamente, a princípio - foi que aqui eles possuem 'walk in clinics', ou seja, algo similar com os prontos socorros do Brasil. Mas o interessante é que eles são em grande quantidades e em lugares inusitados. Por exemplo, nós costumamos ir em uma clínica de emergência que fica dentro de uma grande rede de supermercado. É isso mesmo, no mesmo lugar onde você pode fazer as compras dos alimentos da semana ou de algum objeto para casa, até mesmo roupa, você encontra uma clínica de emergência e uma farmácia. Todos juntos dividindo o mesmo espaço. Na primeira vez que nós tivemos que ir a uma emergência, tanto eu quanto Luciana ficamos meio perdidos sem entender como que uma clínica ficaria dentro do supermercado.

O processo é o mesmo, você chega, entrega sua carteirinha de saúde pública do governo, no nosso caso o Manitoba Health, espera ser chamado e o médico (clínico geral) irá te atender. Essa clínicas são para quem ta com pressa ou alguma emergência não tão grave.

Aqui também tem os hospitais, grandes, modernos, equipados, no entanto muito, mas muito ruim de serviço. Você chega na recepção, triagem, e você vai esperar no mínimo uma hora para alguém te chamar e te encaminhar para a sala do médico. Isso que, você procura hospital quando o problema é mais sério ou quando uma clínica está lotada e não aceita mais pacientes.

Tivemos uma primeira e traumática experiência no hospital. No caso, Luciana estava com muitas dores de garganta (faringite grave). Depois de esperar mais de 1 hora pela triagem, fomos encaminhados para a sala do médico para esperar por ele por mais 2 horas. Ou seja, a pessoa chega com uma queixa de dor e tem que esperar, no mínimo, 3 horas para que alguém apareça. Só que não termina por ai, para os médicos te receitarem um medicamento - antibiótico - você precisa estar praticamente morrendo, caso contrário eles falam para você ir para casa e tomar água. Isso mesmo, foi exatamente o que o médico da Luciana falou. Esperamos 2 horas, ele consultou ela em 5 minutos e disse que o que ela tinha deveria ser um vírus, e "receitou" água e descanso.

Outra coisa que chamou atenção foi que nesse hospital todo equipado e moderno com mais de 25 baias e somente um médico atendendo.

No mês de dezembro tive que realizar um raio-x para verificar meu pé direito. Você vai a uma clínica de raio-x (tudo gratuito) e realiza o exame. Ao invés de você ir encontrar o médico para ele analisar o raio-x na sua frente e te dar um retorno, eles funcionam assim; O raio-x é encaminhado ao médico, quando ele tiver uma oportunidade ele irá examinar, SE ele achar algo grave ele te liga, se não, você nunca ficará sabendo o que apareceu no raio-x.

Eu sei que eu tenho um problema no 'sesamoide' que é um pequeno osso localizado embaixo do dedão do pé, porque em dezembro de 2016 eu realizei diversos exames e um ortopedista - que me atendeu na emergência - pediu exames e constatou. Então já sei que tenho esse problema e já vim para o Canadá com ele. Mas se fosse depender dos médicos aqui, eu jamais saberia. Espero até hoje a ligação para falar do meu raio-x. Ontem (12 de fevereiro de 2018) eu voltei ao médico com dores muito piores, chegando lá ele me pergunta: - E como eu posso te ajudar?
Oi, como assim? Você é o médico, você que me diga como pode me ajudar. Ele enquanto clínico geral queria somente me passar medicamento para dor. Eu exigi uma consulta com ortopedista.

Ai começa outra novela, ele escreveu um e-mail para um ortopedista, que eu não sei o nome e nem onde trabalha, pedindo para quando DER ele me examine.

Sigo com o pé ruim, de atestado médico, tomando remédio que ataca o estômago e esperando que alguém me examine para acharmos a melhor solução de cura para o pé.

Então, tudo tem seus prós e contras. É incrível que o governo proporcione para todos a igualdade de acessibilidade a saúde. Todos são tratados com igualdade, inclusive, não tem preferencial para idosos, ou gestantes. Todos são iguais (confesso que isso também nos causou estranheza). Mas o lado negativo são esses; médicos não tão preparados, tempo de espera muito grande, imprecisão de resultados, difícil acessibilidade a médicos específicos.
No entanto tem as facilidades de por exemplo, ter uma clínica médica dentro de um supermercado com alguns médicos prontos para atender uma quantidade pequena de pacientes.

Aqui também tem a cultura do 'family doctor', ou seja, toda família tem seu médico pessoal - gratuito -. Onde ele acompanha os membros da família, realiza exames, mantém sua ficha médica, receita remédio se for preciso e etc... E em casos mais graves, se for necessário, vai até sua residencia prestar socorro.

Um detalhe para finalizar, caso você precise de um atestado médico você terá que pagar 20 dólares por ele.

Outro detalhe, bem diferente do Brasil, aqui você só consegue comprar medicamentos com receita médica. O médico te receita, você vai até a farmácia e eles fazem na hora com as indicações de quantos tomar, o horário e tudo vem com o seu nome, contato e endereço. E antes de te entregarem, você passa por uma rápida entrevista com a farmacêutica que te explica os efeitos do medicamento. Na farmácia mesmo você só consegue comprar remédios simples como, advil, tylenol e vitaminas. O restante só com prescrição médica.

  

Outra coisa que nos chamou atenção essa semana foi o hospital daqui (Grace Hospital). Essa semana o avô de Luciana teve um infarto e foi levado para esse hospital. Chegando lá, ele foi alojado na ala da emergência, realizaram alguns exames e na sequência subiram com ele para um quarto onde não havia monitoramento 24 horas. Ele precisava trocar um stent há 2 anos atrás e nunca foi feita essa cirurgia. E enquanto ele estava no quarto, ele corria o risco de sofrer outra parada cardíaca. Mas graças a Deus nada aconteceu e hoje (20 de fevereiro) ele foi transferido para um hospital mais capacitado e irá realizar essa cirurgia.

Quando fomos visitá-lo no domingo, uma coisa chamou muita atenção. Ao chegarmos no hospital, nós subimos direto para o quarto. Ninguém nos perguntou onde íamos, ninguém pediu nossas identificações, aliás, o lugar não tinha nem uma recepção. Fiquei chocado, por qualquer um podia entrar no hospital e ir para os quartos dos pacientes sem monitoramento algum. 
Esse tipo de coisa não acontece nem em hospital público do Brasil.

O que prova que nem tudo é perfeito por aqui como dizem.

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sábado, 27 de janeiro de 2018

Fazendo as pazes com o frio

Decidimos que iríamos fazer as pazes com o frio assim que virou o ano. Luciana e eu estávamos apostando quem estava 'odiando' mais o frio aqui na cidade. É muito surreal você acordar e olhar que 'lá fora' está fazendo - 25 graus célsius com sensação térmica de - 35. E o pior? A vida não para, pode indo se arrumar e ir para a aula e o outro para o trabalho. E sem atrasos.

Foi um mês de adaptação com muitos palavrões e muitos " o que a gente está fazendo aqui?".

Mas aí chegou o ano novo, onde a ideia era ir para um parque onde haveria fogos e dj's. Acabamos nos juntando com um amigo brasileiro na casa de um amigo dele no centro da cidade. Do que eu me lembro da noite, foi super divertida. Foi a primeira vez que minha esposa me viu na pior. Eu estava numa situação alcoólica muito deplorável. Tudo começou quando fomos jogar 'beer pong', um inocente jogo que consiste em acertar uma bolinha de ping-pong no copo do adversário, se você acerta, a pessoa bebe. Minha dupla era Luciana, e ela é péssima para jogos e pior ainda para virar bebida. Conclusão do jogo: eu bebi por ela e por mim. Meia hora depois eu não era ninguém.
Eu e meu amigo Dennes disputamos quem estava menos pior. Eu perdi!









E no dia seguinte, dia 1º, eu tinha que trabalhar as 9 horas da manhã. Eu fui muito guerreiro.

Então, depois desse início de ano, nós decidimos parar de reclamar e tentar aproveitar o máximo o que estávamos vivendo.Foi bom porque o clima resolveu cooperar e as temperaturas ficaram melhores. Começo do ano também tem o aniversário da Lú.

Para o aniversário dela, passamos um dia num SPA incrível que tem aqui. Várias saunas, piscinas aquecidas, massagens, tratamentos corporais entre outras coisas. Tudo isso com muita neve e bastante frio. Mas foi incrível, ela amou o dia. Depois reunimos mais de 20 amigos dela num bar/pub ao lado da nossa casa (literalmente) e foi muito divertido. Foi um excelente primeiro aniversário no Canadá.



Nós também fomos patinar no gelo, e isso foi muito divertido. Um dia antes de irmos, conversamos sobre como nós dois costumavámos a andar de patins (roller) quando criança. Eu contei que eu era realmente bom, fazia flips, jumps, descia ladeira. Luciana também veio com o discurso que era boa e andava na rua e na praia constantemente. Foi minha primeira vez andando no gelo, eu estava morrendo de medo de cair e quebrar a cara no chão.Mas quando pisei no gelo foi como se eu tivesse voltado para os meus 13 anos de idade, me senti confortável. Já Luciana... foi difícil superar o trauma de uma queda que ela tinha levado após esquiar na França em 2011. Mas depois de treinar um pouco mais e não desistir, ela se sentiu confiante e mais confortável e deu tudo certo. Patinamos, rimos, tiramos foto, perdemos um gorro. Foi mais uma dia incrível no frio.




Também gostamos de levar nossas cachorrinhas em um parque específico para cachorros, quando a temperatura não está muito negativa. Lola, nossa cachorro adotada aqui no Canadá, ela não sente tanto o frio, ela se sente confortável. O pelo dela é grosso e ela é cheia de energia para gastar (7 meses de vida). Já para Frida, a brasileira, a situação é completamente diferente. Ela até se entusiasma com a neve, em correr solta com a irmã, mas depois de 5 minutos ela já está toda se tremendo com frio, com gelo na patas, toda molhada. É sofrido para ela, e por isso que sempre temos que colocar mil roupas e botas nas patas para amenizar a situação. Mas elas sempre se divertem nesse parquinho com os outros cachorros, todos soltos.




Nosso último passeio na neve foi no começo dessa semana onde visitamos o Ice Castle, que é um castelo construído unicamente com gelo. É muito bonito e vale muito a pena a experiência. Só vá visitar com as botas de inverno, porque eu fui de tênis (sapatilha havaianas) achando que era verão só porque estava fazendo 1º positivo. Chegando lá, tinha locais que era neve até o meio das pernas. 😆😓




Mas também temos nosso programas caseiros, no aquecedor, debaixo das cobertas, nos quais envolvem brigadeiro (sim, tem leite condensado aqui) e muitos seriados na tv. No momento, nosso seriado de casal é This is Us. Mas ela assiste sozinha a Gilmore Girls e The Good Wife e eu assisto a How to Get Away with Murder.


Temos planejado mais passeios divertidos pela cidade. Estamos decididos a fazer essa experiência de vida vale a pena a cada segundo. Mas confesso que não vemos a hora de chegar o verão por aqui. 😁😀😉
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Fucking Immigrants

Quando decidimos vir para o Canadá foi no intuito de imigrar para o país. Temos planos maiores para o futuro, no qual abrange a formação de uma família, e sabemos que isso não seria possível - por ora - no Brasil. Então largamos tudo e viemos atrás desse projeto de vida.

O processo de imigração é longo, burocrático, exige paciência e uma quantia considerável de dinheiro. Digamos que esse é o nosso primeiro investimento enquanto casal.

Sabíamos e sabemos que não é fácil o processo. Você, sozinho, num país diferente. Você, sozinho, longe da sua família. Você, sozinho, em um novo mundo com um bando de desconhecidos. É difícil, não tem como mentir. Mas o que não sabíamos, ou não queríamos pensar na possibilidade, era de que talvez encontrássemos certo preconceito no caminho.

Já aconteceu comigo algumas vezes no trabalho, já aconteceu algumas vezes com a Luciana em lugares públicos. Em qualquer situação que isso tenha acontecido ficamos incrédulos, mas nem por isso abaixamos a nossa cabeça. Quem eles pensam que são?
Somos melhores que eles em quase todos os comparativos que eu possa pensar, e nem por isso deixamos de ser humildes e gratos pelo oportunidade. Mas tem hora que ser o "estrangeiro legal" não convém. E ai as pessoas só te respeitam quando você fala mais alto e as coloca no seu devido lugar.

A primeira vez que aconteceu comigo foi no trabalho onde uma mulher muito mal educada disse "Por favor, passe o telefone para quem sabe falar inglês". Nesse dia eu respondi a ela: "Se quiser fazer seu pedido, terá que falar comigo, caso contrário vou desligar.". E ela acabou fazendo o pedido comigo mesmo. Na última ocasião uma mulher nojenta foi mais agressiva e disse: "To cansada de vocês imigrantes, quero falar com um canadense." Com essas palavras - eu simplesmente desliguei o telefone. O pessoal que trabalha comigo ficou horrorizado e disse que se tratava de racismo, que ela era estúpida e eu não deveria me abalar por isso.

No caso com Luciana, considero que foi pior, pois estávamos em um local turístico que obviamente recebe centenas de turistas por dia. Pois o único lugar que vendia cerveja no local a envergonhou na frente de todos os seus amigos de classe. E um mês depois, no mesmo ponto turístico, fomos andar de patins no gelo e quando nos dirigimos para locar os patins, um senhor de bastante idade foi completamente agressivo, grosso, desrespeitoso e alto. E nos envergonhou na frente de mais de 20 pessoas que esperavam na fila.
Acontece que esse senhor não sabia que minha amada esposa é nordestina e obviamente isso não ficou barato. "Você não está me fazendo nenhum favor, eu estou pagando por esse serviço, me respeite...". Um resumo do que o senhor grosso teve que ouvir. Tudo isso porque pedimos um número de calçado do patins e ele não entrava no pé de forma alguma, e era nossa primeira vez alugando um patins de gelo na vida. Custava ter paciência?

Ai vocês devem se perguntar se nosso inglês é ruim. Não, não é. Muito pelo contrário, se você compara o inglês de um brasileiro com de outros imigrantes, o nosso é muito mais claro e melhor pronunciado. O problema é a intolerância, a falta de expansão mental dos canadenses - pelo menos nessa cidade pequena -.

Tiveram outras ocasiões onde - canadenses - julgaram como "estranho" alguns de nossos hábitos. A coisa é tão estúpida que até fizeram piada porque usamos azeite de oliva na salada.

Por outro lado, se eu contar para vocês como os indianos e outras nacionalidades situadas na Asia são apaixonados pelo Brasil. Devo ser honesto e dizer que 80% é por conta do futebol e 100% por causa do Neymar. Mas de qualquer forma, se eu tiver que citar pessoas incríveis e acolhedoras, primeiro irei citar eles e depois os canadenses.

Óbvio que existe canadenses incríveis, bem educados, dispostos a ajudar, acolhedores. Posso citar a "host family" da Luciana, todos os managers que eu trabalhei até hoje aqui, meus colegas de trabalho, algumas amigas da sala da Luciana. Existe salvação.

Mas para uma parte - infeliz - nós somos 'fucking immigrants'.

Só queria dizer, para vocês, que vai levar pelo menos mais 3 vidas para vocês chegarem no grau de evolução, sabedoria, irmandade, empatia, simpatia e acolhimento que nós brasileiros temos.
😎

E que adotamos uma postura de "bateu, levou".
Mas nem por isso vamos nos abalar e nem por isso vamos generalizar. Provavelmente outras pessoas que estão nesse processo de imigração não tiveram que passar por isso.
Esse exemplos não definem e generaliza a postura de todos. Mas deixa claro que isso existe em qualquer parte do mundo.

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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Hi! Thanks for choosing Domino's

Olá meu povo!
Hoje eu vou contar um pouco para vocês sobre o meu trabalho aqui no Canadá. 

Na nossa segunda semana aqui em Winnipeg eu me inscrevi em dois programas gratuitos que o governo oferece para aqueles que querem ser inseridos no mercado de trabalho. Um deles chama-se Opportunity for Employment e o outro Manitoba Start. Comecei os dois ao mesmo tempo, no mesmo dia. Pela manhã frequentava o Manitoba Start onde eles focam muito em como você deve fazer o seu currículo e onde procurar as vagas de emprego. O outro programa, eu fazia no período da tarde e lá eles te ajudam a se inscrever nas vagas de emprego e te treinam para as entrevistas. 

Os dois programas começaram numa segunda-feira, 11 de setembro. Só que minha sorte começou no sábado, dia 9 de setembro. Navegando pela internet aleatoriamente eu vi algumas vagas de emprego em Mcdonald's, Tim Hortons, Domino's e eu resolvi tentar a sorte e mandar o currículo que eu tinha mesmo. Peguei o meu do Brasil e resumi e traduzi pro inglês, tudo em uma única página.

Sempre soube que quando chegasse no Canadá o lado jornalista, astrólogo, escritor ficaria de lado por um período e que eu teria mesmo que tentar um - o que no Brasil se chama de - subemprego. Tava tranquilo e confortável com essa situação. O importante é ter dinheiro para pagar as contas no final do mês. Até porque, para ser jornalista aqui o mínimo que eu preciso é um nível de inglês excepcional.

Eu nunca tive aula de inglês em cursos, eu nunca tinha feito intercâmbio, e também não tinha estudado em escola que o inglês fosse ótimo. Aprendi inglês sozinho, ouvindo pessoas conversando, traduzindo músicas, lendo sites internacionais. Fui autodidata na língua, no entanto, nunca tinha que conversar com ninguém e não praticava. Cheguei no Canadá sem a opção de treino, já fui direto pra realidade. Todos elogiam o meu inglês, mas eu sei que ainda tem muito o que melhorar e aprender.

Mas foi com esse meu inglês aqui que eu consegui o meu emprego na minha primeira entrevista de emprego. Naquele sábado, dia 9, quando eu mandei currículos aleatórios eu mandei para a Domino's Pizza e recebi uma mensagem de texto com o convite para uma entrevista para o cargo de 'assistente de gerência' para o dia 14 de setembro. Já havia passado 3 dias fazendo os programas do governo e me sentia um pouco mais confiante. No dia anterior a entrevista eu pedi para ser treinado, e então eles me deram um questionário com 15 perguntas mais frequentes em entrevistas no Canadá. Respondi todas e fui "decorando" elas no caminho da entrevista.


De onde eu morava até a loja era um trajeto de 1h30m em dois ônibus. Chegando lá pedi para conversar com o gerente e em 2 minutos a entrevista começou. Fui com o pensamento de que seria apenas um treinamento, um quebra gelo para as futuras entrevistas. Até por que, nos programas de emprego que eu estava fazendo, eles foram muito objetivos dizendo que a estatística para arrumar emprego na cidade era: A cada 100 currículos entregues, apenas 4 vão de te chamar para entrevista.
Eu sei que no final de 15 minutos de conversa sai de lá empregado imediatamente. O gerente me adorou, gostou do meu "entusiasmo" e marcou meu treinamento para o cargo de "assistente de gerente" para o dia seguinte. Então no dia 15 de setembro eu comecei a trabalhar.

Não, não sou garçom e também não sou pizzaiolo. Minha função é bem complexa, basicamente um faz tudo na loja. Comecei meu treinamento sendo "customer service", ou seja, atendendo os clientes. A pizzaria não tem lugar para os clientes sentarem e comer. Ou você pede a pizza para delivery ou você passa na loja e pega a pizza. Você pode pedir a pizza online ou por telefone. Então no começo minha função era basicamente atender o telefone. E são mais de 200 pedidos por dia. Passei duas semanas trabalhando nessa loja, até que o gerente que me contratou teve piedade de eu ter que pegar 2 ônibus e gastar 1h30 para chegar até lá, então ele sugeriu de me transferir para uma loja que ficava a 7 minutos da minha casa. Só que antes, uma nova entrevista para garantir que o gerente de lá iria me querer. Lá fui eu para minha segunda entrevista. Dessa vez foi uma coisa totalmente informal, no meio da loja, com todo mundo ouvindo. Cinco minutos de conversa e eu tava contratado. 

No dia 8 de outubro começou o meu verdadeiro treinamento. Atualmente minhas funções na loja aumentaram e muito. Tem dias que eu abro a loja as 9 da manhã, tem dias que eu fecho a loja as 3 da madrugada. Continuo com a função de atender os telefones, mas também faço as pizzas. No caso eu tenho que abrir a massa da pizza na mão e colocar o "recheio" que o povo pede. Tenho que preparar todos os alimentos e colocar as datas de expiração em tudo. 

Fora a parte de contabilidade que é a mais difícil. Todo dia é obrigatório contar quanto dinheiro a loja fez, quanto dinheiro cada delivery fez, quanto dinheiro tem nos caixas, separar o dinheiro que vai para depósito no banco e colocar tudo isso no sistema.


Tem a parte chata, mas ao mesmo tempo uma das que eu mais gosto de fazer, que é lavar a louça no final do expediente. Graças a Deus não tenho que lavar louça com resto de comida que cliente comeu, porque lá não tem isso. As louças são os potes, panelas, conchas, etc... que se usa para preparar os alimentos. Gosto de lavar a louça porque é um momento que eu tenho para ficar isolado e eu não precisar ficar pensando, falando, conversando em inglês. Eu fico ali no meu mundo dando um descanso para o corpo e a mente.


O trabalho me deixa exausto, - atualmente - trabalho todos os dias da semana (por opção). Durante a semana (segunda a quinta) passo de 5 a 7 horas por dia lá, a partir de sexta e final de semana, eu chego a ficar até 12 horas por dia. O tempo todo em pé, o tempo todo falando, pensando, conversando em inglês. E isso é o que me deixa exausto, porque não é minha língua e meu cérebro ainda não automatizou isso. Então fico exausto.

Tem um outro detalhe, antes de pedir mais horas e trabalhar 7 dias na semana, eu tinha dois dias de folga. Visando fazer mais dinheiro, eu pedi por mais horas e meu gerente me indicou para trabalhar em outra loja do Domino's onde a sua irmã é a gerente e a loja fica também a 7 minutos da minha casa. Então hoje trabalho em duas unidades da pizzaria os 7 dias da semana. A gerente também me adorou, me contratou na hora e passamos horas conversando sobre astrologia. Ela ama o assunto!


A primeira pizza que eu fiz!
O bom disso tudo? Posso levar pizza de graça para casa todos os dias que eu quiser. =)

Aqui no Canadá eles pagam por hora, o salário mínimo deles é de 11 dólares, eu recebo um pouco mais que isso. Então quanto mais horas você faz, mais dinheiro você faz. E se você trabalha por mais de 8 horas por dia você recebe hora extra, que no caso é metade do seu salário. 
Eu sei que no fim das contas, com o meu "subemprego" aqui eu ganho quase que o triplo do que eu já fiz na minha carreira de jornalista no Brasil. 

Pretendo segurar um pouco mais até eu sentir que meu inglês é bom o suficiente para procurar algo mais dentro do meu perfil de comunicação. Mas até então a experiência tem sido ótima e eu me sinto feliz, querido e satisfeito com esse começo no Canadá.

"Hi, Thanks for choosing Domino's Rodolfo speaking". Essa é a frase que eu digo umas 200 vezes por dia a cada telefonema.
;)
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Conheçam Lola; nossa nova filha canadense

Agora a diferença de fuso horário entre a maioria dos estados do Brasil com Winnipeg é de 3 horas. Isso dificulta um pouco mais meu trabalho com o Curta Mais Brasília. Quando eu estou pronto para dar um bom dia, o pessoal já está saindo para o almoço.

Por aqui - no meu emprego no Canadá - na semana passada tive que cobrir o turno de um dos funcionários que pediu demissão. Tinha dias que eu estava saindo depois das 2 da madrugada (no Brasil, 5 da manhã), fora que trabalhei de domingo a domingo. Depois vou falar mais sobre meu trabalho, mas sempre me sinto esgotado. Não pelo o que eu faço, acho que é mais por ter que pensar, falar, agir como um canadense. Mas tá tudo bem, é um ótimo treinamento para a vida.

Hoje, dia 23, completa 2 meses da nossa viagem de vinda para Winnipeg. Já conquistamos muitas coisas e a mais recente delas é a nossa nova filha; Lola!
Conforme eu tinha contado anteriormente, nós estávamos num processo de adoção que era muito burocrático. Aplicamos para uma cachorrinha pequena e muito lindinha chamada Pudim. Mas acabou que ela foi adotada antes. Mas nossa ficha foi aprovada pelo instituto e assim que decidíssemos por um outro cachorro já estaria tudo ok.


E quando vimos Lola, foi paixão imediata e adotamos elas. 



A história dela é um pouco triste, mas ao mesmo tempo ainda não sabemos muito detalhado. Ela foi resgatada em Porto Rico. Ela foi uma das vítimas do furacão Maria que devastou parte da cidade e outros lugares nos Estados Unidos no final do mês de setembro. Ela ainda é filhote, tem quase 5 meses, e é muito, muito doce. Mas também um tanto quanto medrosa ainda. Mas cada dia que passa ela evolui. 
Essas marcas embaixo dos olhos (parece a máscara do Zorro) é de tanto chorar. Não gostamos nem de pensar no sofrimento que ela deve ter passado.

Ela é meio desengonçada ainda quando levamos ela para passear. E nós ainda temos que ensiná-la a fazer as necessidades lá fora. Mas ela sabe fazer xixi no tapete higiênico, falta aprender o coco.

No primeiro dia, Frida não deu a menor bola para ela, agora elas já estão amiguinhas.

Então é isso, dêem as boas-vindas para Lola, a novidade na nossa vida e na nossa família. 
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Vivendo o outono

Hoje, 09 de outubro, faz 47 dias que nos mudamos para a província de Manitoba em Winnipeg. A estação já mudou e estamos no Outono aqui. Realmente as folhas caem e muito. Quando chegamos - final do verão - ainda pegamos um pouco de sol e a vegetação ainda estava bem verde. Agora as árvores tem lindas folhas amarelas (algumas vermelhas) e quase todas estão enfeitando o chão.
O clima também mudou, de repente passou de quase 30º para 7º. O vento é bem gelado.

Nossa adaptação continua ótima, em menos de 2 meses já conquistamos muitas coisas aqui. Há uma semana nos mudamos para o nosso apartamento. Saímos do porão na casa da adorável família Mello e viemos para um lindo bairro italiano chamado Corydon. Ainda estamos no processo de montar nosso apartamento, mas já temos o essencial (cama, tv, sofá, microondas, utensílios de cozinha e etc...). Uma curiosidade; nossa sala de Tv/Estar não tem luz. Não tem instalação para luz em nenhum apartamento desse edifício. As pessoas precisam comprar abajur altos para criar iluminação. É engraçado e estranho ao mesmo tempo.

Na universidade de Luciana tudo vai indo bem. Em breve ela começa umas aulas práticas importantes no curso. Ela também resolveu aproveitar a academia que eles oferecem para se exercitar e queimar os chocolates que ela anda comendo. Aqui tem um tal de 'Mars' que é coisa de louco. É tão bom que a gente come quase todo dia. É irresistível!

Eu fui transferido de local no meu trabalho e agora trabalho a 7 minutos de ônibus de casa, ou 20 caminhando. Antigamente eu tinha que pegar dois ônibus em um trajeto de 1h e meia. Também comecei a ser treinado para ter mais responsabilidades e atingir o cargo de gerência. Ainda não entendemos exatamente porque, mas as pessoas aqui gostam de mim. E eu vou tentando fazer o melhor de mim para superar expectativas.

Estamos começando a amadurecer a ideia de uma irmã para Frida, vamos adotar uma. A burocracia aqui no país é enorme, é quase como se estivéssemos querendo adotar uma criança. Milhões de perguntas, formulários, entrevistas, tudo muito levado a sério. O que é ótimo!

Hoje aqui é feriado de Thanksgiven. Dia de agradecer por todas as graças, vitórias, conquistas alcançadas. Luciana e Eu temos muito o que agradecer a Deus e a todos que nos cercam por esse ano incrível. Ontem, domingo, tivemos o almoço de comemoração com a família Mello. Muita comida gostosa, todo mundo presente, muito carinho e acolhimento. Foi meu primeiro thanksgiven da vida, e toda vez que eu ouço essa palavra, me lembro de algum episódio especial do seriado 'Friends'.

Ficamos uma semana sem internet em casa no nosso apartamento. E nos 2 primeiros dias a gente também já não tinha mais internet (pacote de dados) no celular. Voltamos- forçadamente - para os anos 2000. Nem tv a gente tinha comprado ainda. Aproveitei esses dias para começar a ler meu primeiro livro em inglês; 'Harry Potter and Cursed Child'. Foi o último livro lançado ano passado e eu não tinha lido ele ainda. Luciana aproveitou para adiantar os deveres de casa.
E quando finalmente a internet chegou, o laptop não conecta o wifi. A Tv funciona, o Iphone funciona, Android funciona, mas laptop não. Para usar o laptop tem que conectar um cabo no modem. Tá péssimo isso.

Enfim, so far so good! Não temos nada do que reclamar em nossas vidas, pelo contrário, agradecer sempre.
Um beijo saudoso em todos!


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Welcome to Canada

Olá, cá estou para contar um pouco mais sobre o Canadá.


Sim, eu e minha esposa - Luciana - nos casamos e nos mudamos para o Canadá, mais especificamente em Winnipeg, Manitoba. Estamos aqui há aproximadamente 1 mês. E muita coisa já rolou desde então.

Primeiro, o nosso visto - para estudo (ela) e trabalho (eu) - chegou dia 4 de agosto, e as aulas começavam no dia 24 de agosto, ou seja, descobrimos que teríamos apenas 20 dias para nos mudar de país. A gente não estava esperando essa mudança tão repentina, pensávamos que talvez começo do ano que vem seria a data mais apropriada, mas não. O consulado do Canadá nos presentou com esses vistos.

Então tivemos exatos 20 dias para organizar; passagens de avião, hospedagem, rescisão dos empregos, devolver apartamento alugado, encaixotar algumas coisas, fazer mala, deixar procurações, encerrar contas e cartões no banco e outras coisas importantes.

Graças a Deus, tudo deu certo no tempo corrido. Deu tempo de até organizar uma super festa de despedida para nossos amigos e familiares de Brasília e ainda passarmos 3 dias em São Luís/MA para nos despedirmos da família de lá também. Tudo bem corrido.

Depois de quase 15 horas de viagem em 3 aeronaves chegamos! Luciana, Eu e Frida (nossa cachorrinha que viajou conosco o tempo todo, foi na caixinha debaixo do banco no meu pé).
Desembarcamos em uma quinta-feira e no dia seguinte Luciana já tinha compromisso na Universidade (College).

Desde que chegamos, tudo ainda continua muito corrido. A College cobra muito dos alunos internacionais, muitos testes, provas, trabalhos. Luciana escolheu o curso de Disability and Community Service (uma espécie de Assistência Social). 


Eu cheguei aqui com o visto de trabalho, sabendo que teria que recomeçar tudo do zero e obter experiência canadense. Continuo trabalhando no Curta Mais Brasília produzindo conteúdo online. Mas por aqui o mercado de trabalho é bem diferente. Me matriculei no Manitoba Start e no OFE, são dois programas que o governo oferece para imigrantes, residentes temporários e permanentes, enfim, a intenção é de te inserir no mercado de trabalho, mas antes te ensinar um pouco dos hábitos e costumes dos canadenses de Winnipeg. 

Por sorte consegui um emprego na minha terceira semana aqui. A estatística para você conseguir um emprego aqui é bem dura. De cada 100 currículos /vagas que você tenta, apenas 4 empresas vão te chamar para uma entrevista. Eu vi uma vaga online e mandei meu currículo, na minha primeira entrevista (em inglês) eu consegui o emprego. Ainda estou em treinamento, mas já é uma grande vitória.

Na segunda semana, conseguimos um tempo entre minha agenda com os cursos e os estudos de Luciana e fomos olhar apartamento. O segundo que olhamos, e aceitava cachorro, foi o que fechamos contrato. Lindinho e aconchegante para o nosso começo.


Chegamos aqui no final do Verão e chegamos a pegar alguns dias com 30º. Mas no final da semana passada começou um tempo mais frio com aproximadamente 8º. Uma queda brusca. Mas já sei que isso nem se compara ao inverno de verdade, onde geralmente faz - 30º.

Resumidamente, é isso que tem acontecido com a gente. Não tivemos tempo de aproveitar a cidade ainda e nem tivemos tempo de sentar e realmente contar aos amigos como está as nossas vidas. Na primeira semana tivemos que ir atrás de plano de saúde, identidade da cidade, carteira de trabalho, cartão de ônibus. Muitas burocracias que leva tempo. E apesar de sermos fluente na língua, não é a nossa primeira língua, o que torna as coisas um pouco mais "difíceis", mas estamos tirando de letra.

Nossos próximos passos são; validar nossa habilitação para dirigir aqui, fazer a mudança para o apartamento alugado (no mês de outubro), procurar uma irmãzinha pra Frida, comprar as roupas para o inverno e tentar aproveitar um pouco mais a cidade sem essa demanda enorme de coisas para fazer.


Por último e não menos importante, preciso contar que estamos morando com a família mais incrível e adorável de todo o Canadá. Os Melos são demais! 

Há dez anos atrás, Luciana veio fazer intercâmbio de 1 ano e ficou na casa deles, através de um programa de intercâmbio. Mas essa relação transcendeu e virou um laço familiar de verdade. Então quando começamos a pensar em vir morar no Canadá, eles foram os primeiros a nos apoiar, e quando o nosso visto chegou, veio um convite muito amoroso de ficarmos com eles até que nos estabelecêssemos na cidade. Todos os dias temos doses e doses de amor, cuidado e carinho.

Vou atualizando vocês agora com mais frequência. Um beijo saudosos em todos.





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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Deixando para trás quem eu era

São apenas 4 meses que eu, minha esposa e nossa cachorrinha nos mudamos da capital do Brasil, Brasília, para a província de Manitoba em Winnipeg no Canadá. Mas não demorou muito para surgir um conflito enorme dentro de mim nessa "nova vida" que escolhemos para nós. Mas demorou muito para aceitar a realidade. Na verdade, ainda não consegui digerir 100% a ideia.

Quando você decide mudar de país, você precisa aceitar que a pessoa que você foi já não existe mais. Pode esquecer seus hábitos, seus gostos, seus diplomas. Tudo não fará mais parte de agora em diante. É um processo muito árduo de desapego.

Na segunda semana morando em Winnipeg eu fiz o 'Manitoba Start', que é um programa do governo para te inserir no mercado de trabalho e também te apresentar um pouco dos conceitos  dos canadenses. Foi bem ali, no primeiro dia que eu já percebi que a realidade seria bem árdua. Fiquei meio perdido quando entendi que minha formação no Brasil não me ajudaria de nada aqui. 

Sou formado em jornalismo com especialização em produção de televisão. Aqui, como no Brasil, a profissão jornalismo não é regulamentada, ou seja, você não precisa de um curso para exercê-la. No entanto, se você quer se arriscar a trabalhar em jornais, internet, televisão, seja a área que for, no mínimo você tem que ter um conhecimento da língua impecável. 

Durante o programa do governo, você faz diversos testes para tentar achar uma profissão, uma vaga no mercado de trabalho daqui, que se adeque com o seu perfil. Depois de 40 minutos, descobri que poderia escolher entre ser lojista, porteiro de hotel, cozinheiro ou lavador de louça. Não desmereço nenhuma dessas tarefas, até porque trabalhar é ter dignidade em qualquer lugar do mundo, e o que conhecemos como sub-emprego no Brasil, é o que faz a economia girar por aqui e torna o país exemplar.

Mas foi difícil dar adeus ao comunicador que eu tanto estudei para ser. Aqui, eu sou só mais um no meio de um monte de canadenses e imigrantes que estão tentando a vida. O fato de eu ter um blog com mais de 5 milhões de acessos, ter lançado livros, ter tido dezenas de experiências profissionais, nada conta. Ser o Rodolfo Poppi aqui é a mesma coisa que nada. Ninguém me conhece, ninguém conhece minha origem, ninguém se importa.

Luciana, minha esposa, era psicóloga no Brasil, digo 'era', porque para ela atuar como profissional aqui, teria que voltar a estudar por mais 8 anos no mínimo. Ou seja, nada do que ela fez até aqui tem validade no país, caso ela desejasse ser uma psicóloga clínica. 

Às vezes me pego pensando o quão difícil é querer ser entendido se a língua principal desse país não é a minha primeira língua. Por que uma coisa é você saber o idioma, outra coisa é você ser completamente fluente, no sentido não só de falar mas de pensar, incorporar as manias, hábitos, sotaque, gírias, métodos de construir um raciocínio.

Outro ponto que pega também é a divergência entre hábitos e personalidade que nós brasileiros temos que é difícil achar semelhantes ao redor do mundo. Tem vezes que nos pegamos sozinhos, porque temos colegas no trabalho e na escola, mas o estreitamento de laços é uma dificuldade. Nós brasileiros temos o costume de fazer amizade rápido, não demora muito e a nova pessoa já frequenta nossa casa e já está inserida no nosso circulo de amizades. Por aqui é muito difícil essa 'confiança' imediata. 

E obviamente o clima completamente diferente é um dos fatores que mais te fazem nostálgico da pessoa que você era. Cadê as caminhadas e corridas em um dia ensolarado? A cervejinha gelada no boteco com os amigos? Os pés molhados na areia da praia ou numa pedra de cachoeira... A realidade atual são várias camadas de roupa para sobreviver ao frio, e dependendo da sua vontade e coragem ir para rua tentar fazer algo.

São infinitas novidades que te fazem refletir e pensar em quem você era e sua disposição de desapegar de tudo isso para desfrutar 100% dessa nova experiência. Uma coisa  eu digo com toda a certeza do mundo; não é fácil!

É preciso ter claro o objetivo da mudança, todos os dias, para fazer valer a pena. E principalmente ter coragem de começar de novo, de construir seu nome mais uma vez, de descobrir o que você gosta ou não.

Aprender a não olhar para trás, essa é a grande chave do sucesso.



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