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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Várias primeiras vezes no Canadá

Desde que cheguei aqui no Canadá tenho experienciado diversas novidades pela primeira vez. Algumas coisas que para Luciana já não eram novidades, para mim, nos auge dos trinta anos, eram completamente novas. A Luciana teve a oportunidade de fazer intercâmbio há 10 anos atrás aqui nessa mesma cidade - Winnipeg - por 1 ano. Ela também já tinha feito um mochilão com amigos pela Europa, então muito do que é novidade para mim, para ela já era conhecido.

Já começa a lista pela língua inglesa. Nunca eu tive que me comunicar em inglês com ninguém. Eu tinha diversos amigos no Brasil que eram fluentes, mas eu não tinha que falar inglês com eles. Até mesmo Luciana que já tinha dado aula de inglês em diversos cursos e escolas, nunca tinha conversado comigo nessa língua.
A partir do momento que fizemos nossa primeira escala do vôo São Paulo - Chicago, já começou essa novidade para mim.
Eu aprendi inglês sozinho, ouvindo amigos fluentes conversarem, traduzindo músicas, assistindo seriados, lendo alguns jornais internacionais. Mas até ai eu não tinha com quem e nem porque praticar. A partir do momento que o avião pousou em solo internacional, já era o português. E até que eu me virei muito bem, tanto que a host family da Luciana sempre elogiava, eu consegui passar em entrevistas de emprego e a cada dia você vai melhorando, aprendendo e aperfeiçoando essa língua nova.

Desde que chegamos em Winnipeg o que eu mais escutei era: "Se prepare para o inverno". Eu nunca tinha passado por temperaturas realmente frias e eu estava muito ansioso para conhecer a neve. No dia 14 de outubro nevou pela primeira vez na cidade. Foi uma neve bem rala e passageira. Mas foi o suficiente para eu pegar meu casaco de inverno, agasalhar nossa cachorrinha Frida e descermos para conhecer essa bendita neve. Luciana, já experiente, ficou revoltada e reclamou muito do fato de nevar antes de começar o inverno propriamente.



Atualmente, no inverno, todos os dias e em todos os lugares tem neve, acho um pouco chato, principalmente quando você tem que limpar o carro todo antes de usá-lo. E com relação a temperatura baixa, no mês de dezembro foi o dia mais frio de todas as cidades do mundo, com sensação térmica de - 47º C. Nada agradável.

No mês de outubro também tive a oportunidade de curtir o Halloween. Eu sei que pode parecer idiota, mas eu estava muito animado para essa data. Depois de anos e anos assistindo filmes sobre essa cultura, eu queria muito vivenciar isso de perto. E vou te contar, fizemos isso em grande estilo. Compramos nossas fantasias com 3 semanas de antecedência. Fomos a uma loja chamada Value Village e consegui minha fantasia do Coringa do Batman onde no pacote já vinha a roupa, peruca e maquiagem. Nesse mesmo dia tentamos achar a namorada do Coringa, a personagem Harley Quinn para Luciana, mas só achamos a peruca. Dois dias antes do Halloween conseguimos achar em outra loja a roupa completa dela.



No dia do Halloween vimos muitas crianças passando de porta em porta pedindo doces, a maioria das casas enfeitadas com tema de Halloween, foi muito legal. Mas o melhor ainda estava por vir. Nos fantasiamos e estávamos prontos para a festa, só faltava um detalhe; a festa. Olhamos na internet e decidimos por ir em um night club próximo a nossa casa onde aconteria um concurso de fantasia e o prêmio seria de 100 dólares.

Chegamos na porta do local e não havia quase ninguém tão produzidos quanto nós dois, o máximo eram pessoas usando uns adereços de cabeça, bem boring. Bateu uma dúvida se deveríamos entrar e passar vergonha ou não. Mas já que estávamos lá, entramos.

Simplesmente fomos a sensação do local. Todo mundo passava pela gente elogiando. O club estava lotado e muitas pessoas pediram para tirar fotos com a gente, especialmente com Luciana - Harley Quinn -. Até que um dos produtores do local viu e nos convidou para o concurso de melhor fantasia da noite. Na hora do concurso tínhamos que subir no palco e dançar com os 4 finalistas e o público decidiria os vencedores em cada categoria (homem e mulher). Não ganhamos, mas nos divertimos muito e jamais esqueceremos dessa noite de Halloween.






O natal também foi uma experiência diferente das minha anteriores no Brasil. A começar que eu trabalhei até as 8 da noite na noite de natal e normalmente esse horário eu estava em casa terminando algum prato da ceia e indo tomar banho para receber os parentes. Por aqui a noite de natal e nada (comparado ao Brasil) é a mesma coisa. As pessoas se reúnem mas a data não é algo importante. Você nem precisa se arrumar todo, você vai encontrar a família, tomar um vinho, conversar e dormir cedo, porque o natal mesmo, por aqui, é no dia 25. Ai sim, no dia 25 tem uma grande ceia, todos os parentes se juntam, acontece a troca de presentes, amigo oculto e todo o processo que no Brasil acontece dia 24 a noite.


O natal é marcado pela neve, pelas meias penduradas na lareira, pela árvore de natal e pela comida que é diferente também. Não tem a rabanada, nem o peru, nem a farofa e muito menos a uva passa. Na verdade essa ceia de natal do Brasil é mais parecida com a ceia do Thanksgivin. Mas a ceia foi deliciosa do mesmo jeito, eu mesmo repeti umas 3x. O povo já tava trocando presente de amigo oculto e eu comendo. Passamos essa data especial com a nossa amada família canadense; Os Melos. Foi ótimo! (tirando que o nosso carro resolveu morrer na noite do natal também).

E já que estávamos só nós dois pela primeira vez, resolvemos nos divertir e fazer um vídeo dançando uma música de natal muito famosa por aqui e mandar para nosso amigos como nosso "cartão de natal".


Um passeio que fizemos no começo do ano que foi minha primeira vez também foi quando decidimos patinar no gelo. Escolhemos um dia em que eu estava de folga do trabalho e que a temperatura estava boa (no dia fazia - 6º). Eu nunca tinha patinado no gelo, nem naquelas pistas de gelo falso em shopping. Luciana já tinha patinado outras vezes aqui em Winnipeg. Quando criança, os dois patinaram muito em patins "normais" no asfalto.



Fomos até o The Forks, alugamos o patins por 5 dólares cada e morrendo de medo de cair e se arrebentar inteiro, nós pisamos no gelo. Eu fui primeiro e entrei no gelo fazendo os mesmo movimentos que meu corpo se lembrava de quando patinava quando criança; funcionou. Luciana com muito medo foi indo devagar, devagarinho e depois de uns minutos ela se sentiu mais confortável e conseguiu patinar. Curtimos a pista enorme de patinação (que na verdade é o rio da cidade que no inverno congela e vira pista de patinação e área para quem quer praticar o hóquei.).
Foi uma experiência muito legal, apesar da dor que o patins causa nos pés depois de meia hora.






E esses são apenas alguns relatos das primeiras vezes que nós experienciamos algo novo na nossa nova vida aqui no Canadá.
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Por que escolhemos Winnipeg para imigrar?

Uma das dúvidas recorrentes de quem decide imigrar para um novo país é a escolha da cidade. E muita gente nos pergunta por que escolhemos a província de Manitoba (especificamente em Winnipeg) para morarmos.


A curiosidade vem porque as pessoas não tem muita informação sobre a cidade. Geralmente quando se fala de Canadá as pessoas imediatamente pensam em Toronto ou Vancouver, mas nunca Winnipeg. A verdade é que a cidade realmente não é a mais turísticas das províncias canadenses, isso devido a sua fama de 'winterpeg', ou seja, a cidade do inverno.

Sim, aqui o frio é muito rigoroso e acaba sendo a cidade mais fria de todo Canadá, onde as temperaturas chegam a - 35 com sensação térmica de - 47. Luciana e eu tivemos essa sorte enorme de experienciar esse clima agradável. Foram dias e dias acordando e pensando: O que estamos fazendo aqui?
Teve um determinado dia do mês de dezembro onde Winnipeg estava com a sensação térmica mais fria do mundo, mais fria do que Polo Norte. Imagina viver nesse clima nós que viemos de um país tropical.

Mas no final, sobrevivemos!

Escolhemos a cidade por uma série de questões:
Primeiro que Luciana já era familiarizada com ela. Em 2007 ela realizou um intercâmbio estudantil, onde ela fez o 3º ano do segundo grau (Grade 12 do High School) aqui. O diploma do ensino médio dela é canadense, e não brasileiro - por isso ela n'ao teve que fazer prova de proficiência em inglês para entrar na College, como de exigência para todos os estudantes internacionais. Nesse programa que ela veio na primeira vez aqui, ela foi acolhida pela família Melo (família canadense, com descendência portuguesa), que acabou se tornando pessoas queridas e muito próximas, a ponto de desenvolverem realmente uma relação amorosa de família. Luciana voltou para visitar mais duas vezes depois de seu intercâmbio, eles foram a visitar no Brasil, depois a irmã dela veio fazer intercâmbio aqui (na mesma cidade e casa da mesma família) - daí vocês tiram como a relação é estreita entre eles... São quase 11 anos no total! Então, sabíamos que vindo para cá teríamos apoio da família canadense em uma cidade que não seria completamente estranha para pelo menos um de nós.

O fato da cidade não ser muito turística e bastante fria também foi um atrativo. Isso porque o governo canadense facilita o processo de imigração para quem deseja começar a vida em Winnipeg. O processo é mais rápido e menos burocrático quando comparado com as demais províncias do Canadá. Exatamente por ser uma cidade menor (aproximadamente 750.000 habitantes), mais isolada e muito fria, então essa "facilidade" no processo de imigração é facilitado para que as pessoas venham e aumente a população da cidade. Sem falar no custo de vida, que é bem mais baixo quando comparado às maiores cidades. Como consequência do baixo custo de vida, mais qualidade de vida - moramos na Corydon, um dos melhores bairros da cidade (onde dizem que é a parte mais "viva" daqui, e chamam de "little Italy"), temos um carro, e a chance de comprarmos nossa casa própria em 3 anos é grande!

E esse foi o principal ponto pelo qual decidimos começar nossa vida no Canadá na cidade de Winnipeg. Mesmo tendo alguns contras, como: o inverno bastante rigoroso, uma cidade pequena, poucas opções de entretenimento, calmaria excessiva. O fato de você conseguir agilizar o processo de imigração acaba que ganha na balança dos prós e contras.

Importante dizer que esse processo de imigração não é garantido para todos e que todo mundo que vem para cá com esse desejo vai ter que passar por todas as etapas e cumprir todos os pré-requisitos e acumular uma quantidade significativa de pontos para que o consulado canadense possa primeiro te nomear como um "residente permanente", para que depois você tente o processo de imigração.

Como já estamos morando aqui há 6 meses, e eu vou completar 6 exatos meses de trabalho na mesma empresa, em breve estaremos dando entrada no processo de Residentes Permanentes (tão famoso PR). Mas essa parte do processo vou deixar para relatar mais para frente.

Mal podemos esperar pelo verão, dizem que a cidade fica viva, cheia de atividades ao ar livre e as pessoas são muito felizes e os dias são lindos e ensolarados. Queremos muito desfrutar dessa estação do ano por aqui, até que o inverno chegue outra vez...








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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A saga do carro na neve

Quando saímos do Brasil, nós já tínhamos o plano de que guardaríamos um dinheiro para comprar um carro que seria muito necessário, principalmente, no inverno. Fizemos diversas pesquisas e descobrimos que há uma cultura de compra de carros baratos que funcionam bem na cidade.

Barato quanto? Você consegue achar um carro de 2006 por 3.600 dólares. Não dá para comparar o dólar canadense com a moeda do Brasil (real), mas seria algo como comprar um carro modelo 2006/2007 (10 anos de uso) por 8 mil reais. Mas vale lembrar que os carros aqui já tem uma tecnologia mais avançada que os brasileiros, então mesmo esses carro usados são mais "modernos" que os carro fabricados no mesmo ano no Brasil.

Então olhamos um site no estilo OLX (aqui se chama Kijiji) e fomos olhar alguns carros. Aqui é bem comum você achar pessoas que vivem de compra e venda de carros, o que eles chamam de "car dealer". Nós também chegamos a visitar alguns lugares onde esses dealers possuem lojas, como se fosse um feirão dos automóveis usados.

Mas acabamos fechando acordo com um cara que achamos no aplicativo. Fomos até sua casa, ele nos mostrou 3 carros que ele tinha disponível e então decidimos pelo Suzuki. Durante nossas pesquisas, descobrimos que os carros japoneses seriam de melhor qualidade e durabilidade na cidade e no inverno, do que os  modelos americanos. E o carro estava dentro do nosso orçamento, e com aquela pechinchada brasileira, ainda conseguimos diminuir 200 dólares.

Agora temos um carro - usado - no qual o objetivo é nos proteger do inverno. O máximo que pudermos evitar de ficar expostos a temperaturas de - 20 à - 30, melhor pra nossa saúde. Uso o carro para ir para o trabalho, alguns dias deixo Luciana na universidade, às vezes ela vai de carro e me busca no trabalho. Usamos para passear na cidade e principalmente fazer compras. Tudo ia tranquilo até que o inverno de fato chegou.

Na véspera de natal, começou a saga do carro. Foi o dia mais frio do ano e nós ainda não tínhamos vaga na garagem do prédio, o carro dormia na rua de trás do nosso prédio, junto com outros tantos. Quando estávamos prontos para ir celebrar o natal, o carro não ligava por nada. O carro havia morrido no frio. Uma curiosidade dos carro aqui é que todos eles possuem um plug que é conectado na bateria do carro e fica pendurado do lado de fora do capô. Você precisa comprar uma extensão e plugar o carro na tomada. Isso faz com que a bateria fique recarregada durante todo o período que o carro está de repouso na temperatura congelante da cidade. Mas nós não tínhamos vaga, o carro morreu e nós tivemos que gastar 25% do valor do carro para consertá-lo. Foi um presente de natal de grego.

Graças a Deus no começo do ano surgiu uma vaga no prédio onde poderíamos deixar o carro plugado. Vale dizer que a maioria das garagens aqui são do lado de fora, descobertas, você vai precisar de sorte para achar um apartamento com garagem coberta.

Mas essa não foi a única vez que o carro morreu, mesmo tendo o plug. No Brasil o nossos carros (meu e de Luciana) tinham um sistema de que quando você trava as portas ele automaticamente desliga as luzes também. Pois eu já esqueci esse carro com os faróis acesos por duas vezes e fui trabalhar por 7 horas. Na primeira vez, não estava tão frio, e após 30 minutos do carro com os faróis apagados, a bateria recarregou e o carro funcionou. Já na segunda vez, bem recente inclusive, o frio estava bem congelante e eu esqueci os faróis acesos. Na hora de ir embora para casa o carro não dava partida, foi preciso uma chupeta de 15 minutos para que o carro voltasse a vida.

Só que a última vez que o carro teve uma parada cardíaca, foi no começo do mês agora, quando ele simplesmente não ligou mesmo com o carro plugado e os faróis desligados. O problema agora era no tal do 'starter' do carro, uma peça que é ligada diretamente com a bateria e o motor que dá a partida no carro.

Esse é o problema de comprar um carro já usado e com a quilometragem um pouco alta. Sabemos que o tempo de vida desse carro é de no máximo mais um ano. Mas enquanto não formos residentes permanentes ou mais estabilizados financeiramente na cidade, não iremos licenciar um carro novo. Mas esse é o nosso plano, conseguir ter um carro bom, novo, moderno e que aguente o inverno bravamente.

Por enquanto, seguimos felizes e apreensivos - ao mesmo tempo - com o nosso carrinho. Mas ele é ótimo. É automático, 4 portas, som moderno, bancos novos. Temos os pneus próprios para neve e um jogo de pneus para as 4 estações. E tem a opção de ligar o carro no controle manual do carro. Essa tecnologia serve exatamente para o inverno, onde você pode ligar o carro a quilômetros de distância e deixar o seu carro aquecendo, para que quando você entre não morra congelado.
Ele atende bem nossa demanda do momento.

Por aqui e obrigatório o seguro do carro feito por um órgão específico do governo (Autopac). Eles tem diversas opções de seguro (como se fosse pacotes) com diversos preços. Nós pagamos 170 dólares e o seguro cobre acidentes, colisões, roubos e furtos.

Nós também nos tornamos sócios de uma empresa chamada CAA, que é tipo um seguro. O serviço deles é para reboque, chupeta, parte elétrica do carro, troca de pneus. Você paga uma taxa anual (60 dólares) e você pode utilizar o serviço por apenas 4 vezes ao ano.



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Como é o sistema de saúde daqui?

Sempre que comparamos nosso país com qualquer outro de 1º mundo, a tendência é dizer que tudo fora do Brasil é melhor. E foi isso que ouvimos a respeito do sistema de saúde do Canadá. Para começo de conversa, aqui o sistema é público, acessível para todos, o que já é um passo a frente. Outra qualidade positiva é o cuidado em manter tudo atualizado, novo, com manutenção dos aparelhos em dia, com uma estética bonita. Em nada, nesse aspecto, nos lembra os hospitais públicos do Brasil.

O que me chamou atenção - positivamente, a princípio - foi que aqui eles possuem 'walk in clinics', ou seja, algo similar com os prontos socorros do Brasil. Mas o interessante é que eles são em grande quantidades e em lugares inusitados. Por exemplo, nós costumamos ir em uma clínica de emergência que fica dentro de uma grande rede de supermercado. É isso mesmo, no mesmo lugar onde você pode fazer as compras dos alimentos da semana ou de algum objeto para casa, até mesmo roupa, você encontra uma clínica de emergência e uma farmácia. Todos juntos dividindo o mesmo espaço. Na primeira vez que nós tivemos que ir a uma emergência, tanto eu quanto Luciana ficamos meio perdidos sem entender como que uma clínica ficaria dentro do supermercado.

O processo é o mesmo, você chega, entrega sua carteirinha de saúde pública do governo, no nosso caso o Manitoba Health, espera ser chamado e o médico (clínico geral) irá te atender. Essa clínicas são para quem ta com pressa ou alguma emergência não tão grave.

Aqui também tem os hospitais, grandes, modernos, equipados, no entanto muito, mas muito ruim de serviço. Você chega na recepção, triagem, e você vai esperar no mínimo uma hora para alguém te chamar e te encaminhar para a sala do médico. Isso que, você procura hospital quando o problema é mais sério ou quando uma clínica está lotada e não aceita mais pacientes.

Tivemos uma primeira e traumática experiência no hospital. No caso, Luciana estava com muitas dores de garganta (faringite grave). Depois de esperar mais de 1 hora pela triagem, fomos encaminhados para a sala do médico para esperar por ele por mais 2 horas. Ou seja, a pessoa chega com uma queixa de dor e tem que esperar, no mínimo, 3 horas para que alguém apareça. Só que não termina por ai, para os médicos te receitarem um medicamento - antibiótico - você precisa estar praticamente morrendo, caso contrário eles falam para você ir para casa e tomar água. Isso mesmo, foi exatamente o que o médico da Luciana falou. Esperamos 2 horas, ele consultou ela em 5 minutos e disse que o que ela tinha deveria ser um vírus, e "receitou" água e descanso.

Outra coisa que chamou atenção foi que nesse hospital todo equipado e moderno com mais de 25 baias e somente um médico atendendo.

No mês de dezembro tive que realizar um raio-x para verificar meu pé direito. Você vai a uma clínica de raio-x (tudo gratuito) e realiza o exame. Ao invés de você ir encontrar o médico para ele analisar o raio-x na sua frente e te dar um retorno, eles funcionam assim; O raio-x é encaminhado ao médico, quando ele tiver uma oportunidade ele irá examinar, SE ele achar algo grave ele te liga, se não, você nunca ficará sabendo o que apareceu no raio-x.

Eu sei que eu tenho um problema no 'sesamoide' que é um pequeno osso localizado embaixo do dedão do pé, porque em dezembro de 2016 eu realizei diversos exames e um ortopedista - que me atendeu na emergência - pediu exames e constatou. Então já sei que tenho esse problema e já vim para o Canadá com ele. Mas se fosse depender dos médicos aqui, eu jamais saberia. Espero até hoje a ligação para falar do meu raio-x. Ontem (12 de fevereiro de 2018) eu voltei ao médico com dores muito piores, chegando lá ele me pergunta: - E como eu posso te ajudar?
Oi, como assim? Você é o médico, você que me diga como pode me ajudar. Ele enquanto clínico geral queria somente me passar medicamento para dor. Eu exigi uma consulta com ortopedista.

Ai começa outra novela, ele escreveu um e-mail para um ortopedista, que eu não sei o nome e nem onde trabalha, pedindo para quando DER ele me examine.

Sigo com o pé ruim, de atestado médico, tomando remédio que ataca o estômago e esperando que alguém me examine para acharmos a melhor solução de cura para o pé.

Então, tudo tem seus prós e contras. É incrível que o governo proporcione para todos a igualdade de acessibilidade a saúde. Todos são tratados com igualdade, inclusive, não tem preferencial para idosos, ou gestantes. Todos são iguais (confesso que isso também nos causou estranheza). Mas o lado negativo são esses; médicos não tão preparados, tempo de espera muito grande, imprecisão de resultados, difícil acessibilidade a médicos específicos.
No entanto tem as facilidades de por exemplo, ter uma clínica médica dentro de um supermercado com alguns médicos prontos para atender uma quantidade pequena de pacientes.

Aqui também tem a cultura do 'family doctor', ou seja, toda família tem seu médico pessoal - gratuito -. Onde ele acompanha os membros da família, realiza exames, mantém sua ficha médica, receita remédio se for preciso e etc... E em casos mais graves, se for necessário, vai até sua residencia prestar socorro.

Um detalhe para finalizar, caso você precise de um atestado médico você terá que pagar 20 dólares por ele.

Outro detalhe, bem diferente do Brasil, aqui você só consegue comprar medicamentos com receita médica. O médico te receita, você vai até a farmácia e eles fazem na hora com as indicações de quantos tomar, o horário e tudo vem com o seu nome, contato e endereço. E antes de te entregarem, você passa por uma rápida entrevista com a farmacêutica que te explica os efeitos do medicamento. Na farmácia mesmo você só consegue comprar remédios simples como, advil, tylenol e vitaminas. O restante só com prescrição médica.

  

Outra coisa que nos chamou atenção essa semana foi o hospital daqui (Grace Hospital). Essa semana o avô de Luciana teve um infarto e foi levado para esse hospital. Chegando lá, ele foi alojado na ala da emergência, realizaram alguns exames e na sequência subiram com ele para um quarto onde não havia monitoramento 24 horas. Ele precisava trocar um stent há 2 anos atrás e nunca foi feita essa cirurgia. E enquanto ele estava no quarto, ele corria o risco de sofrer outra parada cardíaca. Mas graças a Deus nada aconteceu e hoje (20 de fevereiro) ele foi transferido para um hospital mais capacitado e irá realizar essa cirurgia.

Quando fomos visitá-lo no domingo, uma coisa chamou muita atenção. Ao chegarmos no hospital, nós subimos direto para o quarto. Ninguém nos perguntou onde íamos, ninguém pediu nossas identificações, aliás, o lugar não tinha nem uma recepção. Fiquei chocado, por qualquer um podia entrar no hospital e ir para os quartos dos pacientes sem monitoramento algum. 
Esse tipo de coisa não acontece nem em hospital público do Brasil.

O que prova que nem tudo é perfeito por aqui como dizem.

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Deixando para trás quem eu era

São apenas 4 meses que eu, minha esposa e nossa cachorrinha nos mudamos da capital do Brasil, Brasília, para a província de Manitoba em Winnipeg no Canadá. Mas não demorou muito para surgir um conflito enorme dentro de mim nessa "nova vida" que escolhemos para nós. Mas demorou muito para aceitar a realidade. Na verdade, ainda não consegui digerir 100% a ideia.

Quando você decide mudar de país, você precisa aceitar que a pessoa que você foi já não existe mais. Pode esquecer seus hábitos, seus gostos, seus diplomas. Tudo não fará mais parte de agora em diante. É um processo muito árduo de desapego.

Na segunda semana morando em Winnipeg eu fiz o 'Manitoba Start', que é um programa do governo para te inserir no mercado de trabalho e também te apresentar um pouco dos conceitos  dos canadenses. Foi bem ali, no primeiro dia que eu já percebi que a realidade seria bem árdua. Fiquei meio perdido quando entendi que minha formação no Brasil não me ajudaria de nada aqui. 

Sou formado em jornalismo com especialização em produção de televisão. Aqui, como no Brasil, a profissão jornalismo não é regulamentada, ou seja, você não precisa de um curso para exercê-la. No entanto, se você quer se arriscar a trabalhar em jornais, internet, televisão, seja a área que for, no mínimo você tem que ter um conhecimento da língua impecável. 

Durante o programa do governo, você faz diversos testes para tentar achar uma profissão, uma vaga no mercado de trabalho daqui, que se adeque com o seu perfil. Depois de 40 minutos, descobri que poderia escolher entre ser lojista, porteiro de hotel, cozinheiro ou lavador de louça. Não desmereço nenhuma dessas tarefas, até porque trabalhar é ter dignidade em qualquer lugar do mundo, e o que conhecemos como sub-emprego no Brasil, é o que faz a economia girar por aqui e torna o país exemplar.

Mas foi difícil dar adeus ao comunicador que eu tanto estudei para ser. Aqui, eu sou só mais um no meio de um monte de canadenses e imigrantes que estão tentando a vida. O fato de eu ter um blog com mais de 5 milhões de acessos, ter lançado livros, ter tido dezenas de experiências profissionais, nada conta. Ser o Rodolfo Poppi aqui é a mesma coisa que nada. Ninguém me conhece, ninguém conhece minha origem, ninguém se importa.

Luciana, minha esposa, era psicóloga no Brasil, digo 'era', porque para ela atuar como profissional aqui, teria que voltar a estudar por mais 8 anos no mínimo. Ou seja, nada do que ela fez até aqui tem validade no país, caso ela desejasse ser uma psicóloga clínica. 

Às vezes me pego pensando o quão difícil é querer ser entendido se a língua principal desse país não é a minha primeira língua. Por que uma coisa é você saber o idioma, outra coisa é você ser completamente fluente, no sentido não só de falar mas de pensar, incorporar as manias, hábitos, sotaque, gírias, métodos de construir um raciocínio.

Outro ponto que pega também é a divergência entre hábitos e personalidade que nós brasileiros temos que é difícil achar semelhantes ao redor do mundo. Tem vezes que nos pegamos sozinhos, porque temos colegas no trabalho e na escola, mas o estreitamento de laços é uma dificuldade. Nós brasileiros temos o costume de fazer amizade rápido, não demora muito e a nova pessoa já frequenta nossa casa e já está inserida no nosso circulo de amizades. Por aqui é muito difícil essa 'confiança' imediata. 

E obviamente o clima completamente diferente é um dos fatores que mais te fazem nostálgico da pessoa que você era. Cadê as caminhadas e corridas em um dia ensolarado? A cervejinha gelada no boteco com os amigos? Os pés molhados na areia da praia ou numa pedra de cachoeira... A realidade atual são várias camadas de roupa para sobreviver ao frio, e dependendo da sua vontade e coragem ir para rua tentar fazer algo.

São infinitas novidades que te fazem refletir e pensar em quem você era e sua disposição de desapegar de tudo isso para desfrutar 100% dessa nova experiência. Uma coisa  eu digo com toda a certeza do mundo; não é fácil!

É preciso ter claro o objetivo da mudança, todos os dias, para fazer valer a pena. E principalmente ter coragem de começar de novo, de construir seu nome mais uma vez, de descobrir o que você gosta ou não.

Aprender a não olhar para trás, essa é a grande chave do sucesso.



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